segunda-feira, março 31, 2003

Aten��o para o toque de 5 segundos...
Boa noite! Est� no ar mais um Pr�tonsNEWS.
Sem tomar partido de nenhum dos dois lados envolvidos na recente guerra no Iraque, foi disparado o alarme para uma cat�strofe ambiental.
Se j� n�o bastasse a trag�dia humanit�ria que o conflito ir� trazer, a degrada��o ambiental do Iraque transformar� o pa�s em um lugar mais �rido e mais quente, segundo as palavras de Klaus Toepfer, diretor do Pnuma (o Programa das Na��es Unidas para o Meio Ambiente).
Desde 1970 � acompanhada por sat�lite a regi�o sudeste do Iraque, conhecida desde a antig�idade como o Crescente F�rtil, o ber�o da civiliza��o, apontada por arque�logos e historiadores como inspiradora para o Jardim do �den.


Na primeira foto a �rea remanescente dos pantanais da Mesopot�mia em 2000, na segunda a mesma �rea em 2002.
Os p�ntanos j� chegaram a cobrir 20.000 quil�metros quadrados, mas hoje restam apenas 7% de sua extens�o original. A r�pida destrui��o do ecossistema coloca diversas esp�cies end�micas do Iraque no caminho da extin��o. At� le�es j� ca�aram naquela regi�o (o �ltimo foi abatido a tiros em 1945), que se continuar a raz�o em que desaparece, ser� somente lembran�a daqui h� mais cinco anos.
Agora, quando os anglo-americanos desmbarcam no Iraque e s�o recebidos com uma das maiores tempestades de areia dos �ltimos anos, n�o � um sinal de Deus, mas dos homens. Os alagadi�os que secam, deixando um deserto incrustrado de sal, aonde planta alguma planta cresce. Assim nuvens de p� varrem a plan�cie da Mesopot�mia.
Uma comunidade de �rabes dos p�ntanos desenvolveu-se ali por 5.000 anos, com uma cultura �nica. S�o criadores de b�falos e cultivadores de arroz, vivendo em casas constru�das sobre ilhas flutuante. S�o os leg�timos herdeiros dos sum�rios e babil�nios.
Permaneceram isolados at� o final da primeira grande guerra. Hoje s�o expulso de suas terras pela seca ou pelas for�as de Saddam Hussein.
Projetos de drenagem e constru��es de barragens aceleraram o processo de degrada��o a partir do final dos anos 80, com a S�ria e Turquia desempenhando papel importante nessa escalada, ao constru�rem represas nas nascentes do Tigre e do Eufrates.


Casas de �rabes dos p�ntanos - Relat�rio T�cnico do Pnuma para Pantanal da Mesopot�mia.

Para evitar que um ecossitema �nico desapare�a por obra dos homens, a ONU, a partir do Pnuma, espera incluir a regi�o nos projetos de reconstru��o do Iraque no p�s-guerra. Mas parece n�o despertar aten��o dos novos conquistadores, atuarem em projetos de recupera��o ambiental, pois n�o trazem lucro imediato. Ainda mais para uma administra��o como a de G.W. Bush que menospreza tratados como os de Kyoto.
Mais informa��e em:
Pnuma, ou em ingl�s Unep
Iraq Foudation - Eden Again
At� a pr�xima conex�o!

domingo, março 30, 2003

Aten��o para o toque de 5 segundos...
Boa noite! Est� no ar mais um Pr�tonsNEWS.
O assunto de hoje � a S�ndrome Respirat�ria Aguda Grave (no ingl�s SARS), a pneumonia asi�tica que amea�a o mundo.
Mesmo o foco tendo surgido do outro lado do mundo, estamos vulner�veis ao pat�geno, uma vez que as fronteiras mais do que nunca s�o imagin�rias nos dias atuais. j� existem casos confirmados no Canad� e em alguns pa�ses da Europa.
Atingindo quase 2000 pessoas e j� vitimando fatalmente 55 (incluindo o m�dico Dr. Carlo Urbani da OMS, que descobriu a misteriosa doen�a no Vietn�, e morreu na Tail�ndia), cresce o temor de que grandes centros urbanos do oriente e do ocidente sejam atingidos antes mesmo que os cientistas confirmem qual o microorganismo � o causador. Sem o isolamento do causador da doen�a, n�o h� como desenhar uma estrat�gia eficaz de combate e profilaxia.
Os principais sintomas s�o forte febre, dores pelo corpo, fluido nos pulm�es, ou seja, sintomas pneumonias comuns, o que atrasa o seu diagn�stico.
E devido ao tempo de incuba��o do agente patog�nico, pessoas contaminadas podem carregar a doen�a para cada vez mais longe. A �nica coisa que os governos podem fazer � colocar de quarentena todos aqueles que estiveram recentemente nas regi�es atingidas e isso n�o � uma tarefa das mais f�ceis.
O surto come�ou em novembro de 2002, na prov�ncia de Guangdong, sudeste da China. Como aconteceu com a AIDS, o governo chin�s n�o divulgou os estranhos acontecimentos e sintomas at� que a doen�a j� estivesse vitimando pessoas em outros pa�ses e saindo de controle na pr�pria China. E as autoridades chinesas insistem em declarar para a Organiza��o Mundial de Sa�de que a s�ndrome estaria sob controle.


Observe no mapa da China acima a proximidade de Guangdong dos grandes centros de Hong Kong e Cingapura, al�m da proximidade com Vietn�, Laos e Tail�ndia.

Um professor de Hong Kong tratou de alguns pacientes e contaminou-se, levando a doen�a para a sua cidade quando retornou. E do grande centro urbano a s�ndrome est� ganhando o mundo.
A pneumonia comum � causada por bact�rias do grupo das pneumococcus. Os portadores da sindrome asi�tica n�o apresentam esses micr�bios, jogando ent�o as suspeitas sobre uma infec��o vir�tica. Inclusive n�o est� descartada que estejam agindo dois v�rus simultaneamente.
Existe ainda um agravante, sendo o agente causador da pneumonia comum uma bact�ria, o primeiro tratamento � com antibi�ticos que n�o surtem o menor efeito em v�rus!
O principal suspeito � um v�rus do tipo dos Coronavirus, a mesma fam�lia dos causadores de resfriados comuns. O outro suspeito, inclusive foi o primeiro a ser apontado como causador da SARS, � um virus da fam�lia Paramyxoviridae. Outras investiga��es dos mesmos laborat�rios da rede montada pela OMS, com o famoso Centro de Controle de Doen�as dos Estados Unidos (do ingl�s, CDC) indicam uma associa��o dos dois v�rus na infec��o, como se fosse um mutualismo.
Os coronavirus recebem esse nome por apresentarem uma "coroa" glico-proteica envolvendo a sua c�psula. A c�psula � um aglomerado t�pico de prote�nas que envolve e protege o material gen�tico vir�tico, funcionando grosseiramente como a membrana celular. No caso dessa fam�lia ele encontra-se sob forma de RNA.


Micrografia eletr�nica de um coronavirus.

Os Coronavirus forma primeiramente isolados de galinhas em 1937, por Beaudette e Hudson. E com a descoberta dos Rhinovirus em 1950, mais de 50% dos resfriados tinham os seus ahentes conhecidos. Hoje existem 13 esp�cies conhecidas, aproximadamente.


Paraximovirus em micrografia eletr�nica de transmiss�o.

Os Paraximovirus tamb�m guardam as suas informa��es gen�ticas em RNA. S�o pleom�rficos, apresentando-se geralmente na forma filamentar. S�o os v�rus dessa fam�lia que causam a gripe influenza, uma doen�a que possui seu ciclo regular de surtos na humanidade bem descrito pelos cientistas.
A S�ndrome Respirat�ria Aguda Grave aparentemente � mais uma das muitas doen�as causadas pelos "v�rus emergentes", uma denomina��o criada pelos virologistas para novos tipos de agentes infecciosos ou manifesta��es mais patog�nicas de v�rus j� conhecidos. Do rol desses "emergentes" faz parte o ebola e outros causadores de febres hemorr�gicas.
Lendo os notici�rios atuais sobre essa "pneumonia" vir�tica, lembro-me que em 2000 diversas galinhas e outras aves desenvolveram uma nova forma de gripe em regi�es de Hong Kong (veja o mapa e observe a proximidade dessa �rea do local aonde come�ou a epidemia), desconhecida dos cientistas. Inclusive na �poca temia-se que pudesse haver uma infec��o de humanos por esses v�rus pelo consumo da carne de aves vitimadas, tal como aconteceu com o ebola e, possivelmente, com a AIDS. Devo informar aos leitores que essa poss�vel liga��o entre a SARS e essa gripe que infecta aves � uma opini�o minha, sem outro respaldo cient�fico, at� o momento.

Para mais informa��es sobre a SARS, visite o Centro de Controle de Doen�as.
At� a pr�xima conex�o.

domingo, março 23, 2003

Aten��o para o toque de 5 segundos...
Boa noite! Est� no ar mais um Pr�tonsNEWS.
O assunto de hoje ser� microscopia de fluoresc�ncia
Abaixo alguns belas imagens obtidas por esse t�cnica de muito uso na biologia molecular, engenharia, qu�mica, etc.

C�lulas com tr�s fluorocromos espec�ficos.


Corte transversal da raiz de Tilia americana.

Corte de caule de Tilia americana.

Taenia pisiformis, um dos muitos parasitas caninos do tipo de verme achatados.


Se��o sagital de cerebelo de rato

Essa imagem foi obtida por contraste de fase e n�o por fluoresc�ncia, s�o exemplares de Licmophora flabellata, diatom�ceas (micro-algas dotadas de exoesqueleto de s�lica) oce�nicas.

Fibroblasto epitelial de cervo.

C�lulas do endot�lio arterial de pulm�o bovino.

Corte de capa de revista

C�lulas epiteliais humanas

As fotos acima foram obtidas do site da Nikon MicroscopiU, que possui uma competi��o de melhores imagens obtidas do pequeno grande mundo invis�vel aos olhos nus. A galeria de belas imagens de microscopia � imensa e ainda est� dispon�vel um screensaver com as imagens ganhadoras de 2002. Vale a pena visitar!


A fluoresc�ncia � um efeito f�sico que ocorre com a excita��o dos el�trons situados ans camadas superiores dos �tomos e caracter�stico de algumas subst�ncias, em que uma parte da luz absorvida em pequenos comprimentos de onda (radia��o eletromagn�tica de mais alta energia como a ultra-violeta) � reemitida em comprimentos de onda mais longos (de menor enregia, que para fins pr�ticos deve ser no vis�vel).
Cabe aqui uma explica��o, pois a fluoresc�ncia � diferente da fosforesc�ncia. A primeira cessa quando a fonte excitadora � interrompida, isto �, o efeito dura enquanto o esp�cime analisado estiver exposto. J� na fosforesc�ncia a susbt�ncia continua emitindo luz algum tempo depois de exposta a fonte de excita��o. Por isso aquelas l�mpadas s�o chamadas fluorescentes, enquanto passa corrente el�trica no tubo contendo vapor de merc�rio, esse � ionizado e emite no ultravioleta que � absorvido pela camada de �xidos inorg�nicos fluorescentes contidos no vidro e emitida como luz branca, azul, vermelha, amarelada, etc. A s�lica (�xido de sil�cio) quando exposto a luz ultravioleta emite no comprimento de onda do verde.


Cristais de Carbaryl por luz polarizada, um dos inseticidas respons�veis pela m�-forma��o de anf�bios


Diatom�ceas dulc�colas fotomicrografadas por microscopia de contraste de fase

A fluoresc�ncia na qu�mica possui aplica��es quantitativas e qualitativas, mas n�o � parte do escopo dete post. Aqui ficaremos restritos �s suas aplica��es no campo da biologia molecular.
Muitos dos mecanismos celulares foram determinados utilizando esta t�cnica que pode ser com material vivo ou j� fixado.
Os fluorocromos (no in�cio da t�cnica haviam muito poucos, como a rodaminaG, fluoresce�na, etc), mas hoje existem in�meros e outros novos est�o sendo desenvolvidos. Novos corantes significam novas cores que possam ser utilizadas para visualizar mais entidades. Para que a t�cnica funcione, o fluorocromo � ligado quimicamente a um anti-corpo espec�fico. Por exemplo caso se queira observar o n�cleo, adiciona-se um anti-corpo para alguma prote�na do n�cleo preparado com o fluorocromo e coloca-se o esp�cime sob a fonte de excita��o.
H� duas maneiras de se construir um microsc�pio de fluoresc�ncia: por epi-fluoresc�ncia e de transmiss�o.
No de transmiss�o, mais antigo, h� a necessidade de uma forte fonte de luz de comprimentos de onda curto, como l�mpadas de merc�rio e dois filtros (o primeiro deixa apenas passar o comprimento de onda que excita o fluorocromo utilizado e o segundo forma um cone de luz, aumentando sua intensidade).
Na epi-fluoresc�ncia, a fonte luminosa � mais forte e o cone de luz � formado entre a objetiva e a ocular, aumentando sua resolu��o.
As ra�zes da microscopia de fluoresc�ncia est� na microscopia �tica. Conforme passou-se a utilizar luz polarizada (este tipo de feixe de luz apresenta vibra��o da onda magn�tica em apenas uma dire��o e � deslocada para direita ou esquerda conforme atravessa o esp�cime, gerando uma imagem com diversos contraste na ocular). A luz polarizada pode ser obtida a partir de luz comum passando atrav�s de dois prismas, num mecanismos chamado Prisma de Nichols.
O primeiro caso de microscopia de fluoresc�ncia foi na bot�nica, com algas da ordem Chlorococcales. A clorofila fluoresce no vermelho. Abaixo fotos da Universidade de Hamburgo:


Imagens por microscopia �tica de interfer�ncia



Imagens obtidas por microscopia de fluoresc�ncia. As regi�es em vermelho s�o mol�culas de clorofila.

Por permitir observar esp�cimes vivos seu uso na biologia celular e molecular � imenso. Organelas puderam pela primeira vez serem observadas em a��o e da� os cientistas tirarem conclus�es e corrigirem teorias de mecanismos e vias metab�licas. O citoesqueleto celular foi totalmente descoberto e suas fun��es confirmadas, tendo cada um dos filamentos presentes suas fun��es espec�ficas. Assim descobriu-se que os microt�bulos s�o as grandes vias expressas que percorrem toda a c�lula, como trilhos levando organelas e macromol�culas. Os filamentos de actina desempenham fun��o important�ssima no formato celular e na locomo��o por pseud�podos.
Abaixo seguem mais fotos obtidas com esta t�cnica:

N�cleo, mitoc�ndrias e lisossomos

N�cleo, mitoc�ndrias e filamentos de actina


N�cleo e microt�bulos

N�cleo e filamentos de actina

N�cleo e menbranas internas


Como viram pelas imagens, a microscopia de fluoresc�ncia fascina os cientistas n�o � a toa. Pois com a t�cnica descortinou-se todo um novo mundo que jamais havia sido observado.
Bem, essa conex�o encerra-se por aqui. At� a pr�xima!

segunda-feira, março 17, 2003

Prezados leitores, devido a in�meros pedidos estamos providenciando um sistema de coment�rios a ser instalado futuramente no Pr�tonsNEWS

domingo, março 16, 2003

Aten��o para o toque de 5 segundos...
Boa noite! Est� no ar mais um Pr�tonsNEWS.
No ver�o de 1995, em um lago perto de Henderson, Minnesota, um grupo de estudantes capturava r�s-leopardo, Rana pipiens para um trabalho escolar quando depararam-se com v�rios indiv�duos coletados com deforma��es nas patas traseiras.

Exemplar de r�-leopardo (Rana pipiens) coletado entre 1995-1996 em Minnesota.

Os anf�bios j� h� algum tempo s�o usados como indicadores de degrada��o ambiental. Especialmente por viverem em espelhos d'�gua, que sofrem diretamente a a��o antr�pica (do homem) como os charcos, alagadi�os, brejos. Seja pelo aterramento de suas �reas, derramamento de esgotos e outros dejetos ou utiliza��o da �gua de riachos que mant�m esses nichos, eles s�o diretamente afetados. Mundialmente as popula��es de anf�bios est�o sendo afetadas.
Entretanto outros fatores est�o contribuindo para esse decl�nio: aumento da radia��o ultra-violeta que chega � Terra (buraco na camada de oz�nio), Efeito Estufa, etc.
O acontecimento em Minnesota despertou a curiosidade e o alarme na comunidade cient�fica. Pois, apesar de encontrar-se exemplos de m�-forma��o naturalmente, o percentual de animais era muito alto. O que estaria acontecendo?
Mas a solu��o n�o era t�o simples assim. Uma conjun��o de fatores negativos estavam atuando.
A primeira suspeita para essas m�-forma��es foi o metoprene um inseticida aprovado como susbstituto do DDT em 1975, que faz parte dos retin�ides, derivados da Vitamina A. Se voc� tem c�o ou gato e j� enfrentou uma infesta��o de pulgas, provavelmente utilizou o metoprene ou outro retin�ide. Ele atua diretamente na forma��o de mebros durante a evolu��o dos anuros, assim como outro pesticida de largo uso que � o carbaril, que � da fam�lia dos carbamatos.
Outra suspeita recaiu sobre a radia��o ultra-violeta (n�o ultra-violenta como um aluno que prestou o ENEM declarou). Mas essa est� mais relacionada �s deforma��es dos olhos.

Exemplo de deforma��o ocular.

O que acontece no lago em Minnesota, assim como em outros espelhos d�gua pr�ximos a fazendas � uma epidemia do parasita tremat�deo Ribeiroia ondatrae que tem nos girinos um de seus vetores. Os tremat�deos s�o Platelmintos (vermes achatados) que apresentam geralmente dimorfismo sexual, isto �, os machos s�o diferentes morfologicamente das f�meas. Um tremat�deo conhecido dos seres humanos � o Schistosoma mansoni agente de uma importante endemia no Brasil, a Esquistossomose Mans�nica,
Durante seu ciclo de vida, as larvas de Ribeiroia ondatrae amadurecem em uma esp�cie de caramujo aqu�tico(Planorbella tenuis). O excesso de fertilizantes, junto com aumento da radia��o ultra-violeta, aumentam a quantidade de algas que servem de alimento ao caracol. Uma popula��o grande de hospedeiros, permite que mais parasitas amadure�am e infestem os jovens anuros (girinos) alterando o desenvolvimento normal de seus membros. Essas r�s deformadas s�o facilmente predadas por gar�as, o hospedeiro final do verme. Como essas aves s�o bem vistas pelo homem, algumas vezes elas s�o acrescentadas ao ecossistema local para fins de embelezamento, fechando ciclo de desenvolvimento do tremat�deo.
O manejo incorreto de um ecossistema pode gerar resultados danosos e de certo modo complexo de se conseguir ligar os fatos por uma raz�o comum.
Mais fotos de deformidades causadas por fatores ambientais, podem ser vistas em Deformed Frog Stock Photography
Recomendo ainda uma visita ao NARCAM ligado ao U.S. Geological Survey.
At� a pr�xima conex�o!
Aten��o para o toque de 5 segundos...
Boa madrugada! Est� no ar mais um Pr�tonsNEWS.



Essa bela foto que ilustra o in�cio deste post foi obtida nos laborat�rios da Rockefeller University. Todo o trabalho de Oswald Avery e equipe na caracteriza��o do DNA como "princ�pio transformante" foi feito nesta institui��o.
A foto mostra o instante em que o fuso mit�tico da divis�o celular se forma. Em laranja os centrossomos (organelas derivadas dos centr�olos), azul est�o os cromossomos e em verde os microt�bulos, aonde os cromossomos s�o ligados por sua por��o mais condensada, chamada de centr�mero.
Este tipo de imagem � obtido por microscopia de fluoresc�ncia, aonde mol�culas espec�ficas s�o encontradas a partir de resposta imunol�gica (o corante � ligado a um anticorpo espec�fico � mol�cula que se deseja visualizar no microsc�pio de fluoresc�ncia). Cada imagem � obtida separadamente e depois combinada para gerar esse belo resultado.
No estudo de que faz parte essa foto, os pesquisadores descobriram um novo mecanismo em c�lulas de marsupiais e humanas que contribui para o acurado alinhamento e segrega��o dos cromossomos durante a mitose, a divis�o celular que mantem o n�mero de cromossomos nas c�lulas-filhas igual ao da c�lula-m�e (tamb�m chamada de divis�o som�tica). Esse alinhamento correto minimiza erros de divis�o celular que causam anomalias gen�ticas e doen�as.
O artigo contendo as informa��es t�cnicas encontra-se em http://www.rockefeller.edu/pubinfo/031003.php.
At� a pr�xima conex�o!
Aten��o para o toque de 5 segundos...
Boa noite! Esta � a segunda e derradeira parte do ProtonsNEWS especial 50 ANOS DE ESTRUTURA DO DNA.
Entre a descoberta dos �cidos nucleicos e a verifica��o de sua liga��o com a transmiss�o de informa��o gen�tica, passaram-se 75 anos. Desse ponto a total elucida��o da estrutura dessa biomol�cula maravilhosa foram cerca de 10 anos!
O trabalho de Oswald Avery e sua equipe influenciou fortemente a comunidade bioqu�mica. Inclusive Avery � considerado um dos pais da Gen�tica moderna. No final dos anos 40, Erwin Chargaff

Dr. Erwin Chargaff

Ele foi o primeiro a criar m�todos quantitativos para separa��o (por cromatografia em papel) e an�lise de DNA hidrolisado. Suas pesquisas levaram a descoberta de que a composi��o do DNA de um ser vivo � a mesma em todas as partes de seu corpo, independente de idade, estado nutricional ou quaisquer outros fatores ambientais. Chargaff tamb�m descobriu a rela��o entre os quatro nucleot�deos: a quantidade de adenina presente era sempre igual a de timina (A=T) e a quantidade de guanina igual a de citosina (G=C). Essa rela��o � a Regra de Chargaff.
No in�cio dos anos 50 foram elucidadas as estruturas qu�micas dos �cidos nucleicos nos trabalhos de Alexander Todd , a partir das descobertas de Phoebus Levine, que isolou a pentose constituinte do RNA em 1909 (em 1929 ele descobriu que os cromossomos s�o formados por DNA). Os �cidos nucleicos com poucas exce��es, s�o pol�meros lineares de nucleot�deos com pontes fosfato ligando as posi��es 3' e 5' dos sucessivos res�duos de a��car.
Vamos pausar a hist�ria para tornar um pouco claro o que � um nucleot�deo. Os constituintes dos �cidos nucleicos s�o resultados da rea��o de um a��car (uma ribose ou desoxirribose, no RNA e DNA respectivamente) em forma de anel de cinco �tomos, sendo um deles um oxig�nio. O primeiro carbono a partir do oxig�nio (o hetero�tomo do anel) � numerado como 1 e � nesse que liga-se a base nitrogenada. Essas bases nitrogenadas s�o derivadas da purina (adenina e guanina) e pirimidina (citosina, timina e uracila, encontrada apenas no RNA). Finalmente o grupo fosfato (derivado do �cido fosf�rico e por isso os �cidos nucleicos apresentam baixos valores de pH) pode estar ligado no carbono 3' ou no carbono 5'. E � gra�as a essa peculiaridade que a fita de DNA � orientada, pois o grupo fosfato ligado na posi��o 3' de um nucleot�deo, obrigatoriamente liga-se na posi��o 5' do res�dio de pentose seguinte. No RNA ocorre o mesmo.




Voltemos para a estrutura do DNA...
Todas as pesquisas que levaram � descoberta da dupla-h�lice foram desenvolvidas no Laborat�rio Cavendish, numa pequena unidade do Medical Research Council .
Watson e Crick tinham em m�os os seguintes dados brutos que os levaram � estrutura do DNA:
1. A Regra de Chargaff.
2. As formas tautom�ricas corretas da bases foram bem caracterizadas por diversos tipos de espectroscopia (Raios-X e Resson�ncia Magn�tica Nuclear) gra�as ao trabalho de Jerry Donohue, um especialista em estruturas por Raios-X de pequenas mol�culas org�nicas, da equipe de Watson e Crick. Com isso foi poss�vel predizer como cada par de bases combinava-se de modo a obedecer a Regra de Chargaff.
3. O DNA � uma mol�cula em forma de h�lice. Informa��o providenciada por difra��o de Raios-X de fibras de DNA por Rosalind Franklin e Maurice Wilkins em 1952 e tamb�m participantes do grupo de Watson e Crick.



Com essas imagens, Francis Crick, que j� havia deduzido anteriormente as equa��es para difra��o de mol�culas helicoidais, confirmou que al�m de o DNA apresentar essa caracter�stica, suas bases nitrogenadas (an�is arom�ticos r�gidos) estavam dispostas de forma perpendicular ao eixo da h�lice e cada par paralelo entre si, como degraus.
Com isso entrou em campo a genialidade dos dois cientistas na montagem de modelos de estudo at� alcan�arem a verdade. E quando a estrutura do DNA foi publicada em mar�o de 1953, sua simplicidade combinada com a �bvia relev�ncia biol�gica a tornou amplamente aceita.




Estudos posteriores apenas corroboraram suas conclus�es. Hoje sabe-se que o DNA com a estrutura ideal de Watson-Crick, denominada de B-DNA, � apenas uma das conforma��es poss�veis de acordo com a umidade e os c�tions presentes na precipta��o. Mas essa � uma hist�ria para outro Pr�tonsNEWS.
A mol�cula da vida estava descoberta completamente (do ponto de vista f�sico-qu�mico) e com isso Watson e Crick puderam tamb�m sugerir o mecanismo molecular da hereditariedade, pela replica��o da dupla-h�lice abrindo-se como um z�per e gerando duas duplas-h�lices filhas. As portas da biologia molecular estavam abertas!
Quando deram o seu trabalho por conclu�do, James Watson e Francis Crick foram ao Eagle Pub (sim, eles foram beber!) contar sobre a descoberta.
Pelo trabalho brilhante, os dois juntamente com Maurice Wilkins receberam o Pr�mio Nobel de 1962 de Medicina e Fisiologia. Hoje James D. Watson � presidente do Cold Spring Harbor Laboratory e continua contribuindo para o conhecimento humano, Francis Crick � pesquisador do Salk Institute for Biological Studies trabalhando com neuroci�ncias, Rosalind Franklin infelizmente faleceu prematuramente em 1958 n�o sendo laureada com o Nobel e Maurice Wilkins desde 1981 � Professor Em�rito de Biof�sica do Rei, trabalhando ainda na Cambridge University e ap�s ter trabalhado no Projeto Manhattan (antes de juntar-se � equipe de Watson e Crick) � ardoroso defensor das causas anti-b�licas.
Quer saber mais sobre essa descoberta? Visite ent�o os sites:
http://www.dna50.org.uk/
http://www.dna50.org/
A assunto � extenso e portanto pass�vel a erros, portanto pe�o aos leitores desculpas por quaisquer incorre��es e omiss�es do texto.
At� a pr�xima conex�o!
Aten��o para o toque de 5 segundos...
Boa noite! Est� no ar o Pr�tonsNEWS especial
50 ANOS DE ESTRUTURA DO DNA
Lemos e ouvimos muito hoje em dia sobre clonagem, transg�nicos, terapias g�nicas, c�lulas-tronco, genoma humano... Mas para chegarmos ao atual desenvolvimento, muitos pequenos passos foram dados e que culminaram em 1953 com a elucida��o da estrutura da mol�cula da vida.
A vida � extremamente complexa, mas possui um fio condutor que mant�m unidas todas as formas de vida deste planeta, das mais simples as mais complexas: o DNA, duas fitas em dupla-h�lice composta de apenas quatro mol�culas b�sicas diferentes!
H� 50 anos atr�s os pesquisadores James Watson e Francis Crick, da Cambridge University, juntaram as pe�as de um grande quebra-cabe�a que come�ou a ser desvendado em 1869. Neste ano, Friedrich Miescher



isolou pela primeira vez uma nova subst�ncia de car�ter �cido encontrada nos n�cleos da c�lulas (seu material de trabalho foram leuc�citos de bandagens cir�rgicas descartadas) que as chamou de nucle�na, eram os �cidos nucleicos. Em poucos anos foram descobertos �cidos nucleicos em diversos tipos celulares, entretanto s� depois de 75 anos desta descoberta, os �cidos nucleicos tiveram a sua fun��o na hereditariedade dos seres vivos reconhecida pela comunidade cient�fica.
At� as hoje famosas experi�ncias de Gregor Mendel com ervilhas se tornarem p�blicas e aceitas, a comunidade cient�fica aceitava que os genes n�o eram entidades individuais e que cruzamentos entre "ra�as" diferentes da mesma esp�cie resultavam em uma mistura completa dos padr�es parentais. Tal como acontece entre humanos de cores diferentes, entre as diversas ra�as de c�es, etc. At� Charles Darwin, enunciador da Teoria de Sele��o Natural, trope�ou nessa armadilha do senso comum!
Depois de Friederich Miescher, pouco foi acrescentado �s informa��es dispon�veis sobre os �cidos nucleicos, exceto que eles eram constitu�dos por apenas quatro tipos de componentes, nucleot�deos, convencionou-se que esses �cidos eram pol�meros aleat�rios com alguma fun��o obscura no n�cleo celular, menos que fosse a biblioteca contendo todas as instru��es para se construir um novo ser vivo. A descoberta dos cromossomos e que esses s�o formados por genes enfileirados deve-se ao bi�logo americano Thomas Morgan em 1909 ao efetuar estudos de hereditariedade com dros�filas. Os cientistas assumiram como genes as prote�nas, por apresentarem especificidade como entidades bioqu�micas.
A verdadeira fun��o dos �cidos nucleicos, especialmente o DNA, foi mostrada em 1944, ap�s investiga��es sobre um tal "pr�nc�pio transformante". Este termo foi cunhado por Frederick Griffith em 1928 ao injetar em ratos uma mistura de pneumococcus (Diplococcus pneumoniae). Essas bact�rias s�o encontradas sob duas formas denominadas de R, a n�o-patog�nica e S, a forma virulenta. O injetado continha bact�rias R vivas e S mortas por aquecimento. O experimento resultou em mortes de muitos dos ratos e surpreendemente, no sangue das cobaias n�o havia nenhuma bact�ria R, todas haviam se transformado em S. Griffith ainda injetou a forma n�o virulenta pura e tamb�m somente o lisado de bact�rias do tipo S, n�o causando a morte das cobaias. O que era esse "princ�pio transformante"?
Ap�s 10 anos de pesquisas, os pesquisadores Oswald Avery, Colin MacLeod e Maclyn McCarty conclu�ram que tratava-se de DNA o componente que transformava as bact�rias em sua variante patog�nica. Depois de sucessivas e laboriosas purifica��es (n�o estavam desenvolvidas muitas t�cnicas na �poca), foi observado que o "princ�pio transformante" apresentava muitas caracter�sticas de �cido nucleico, n�o havendo nenhuma prote�na detect�vel j� que o material n�o gerava subcompostos em presen�a de quaisquer proteases (enzimas que quebram prote�nas, tais como as encontradas ao longo de nosso trato digestico, por exemplo a Tripsina), mas reagia com uma enzima espec�fica a DNase, que quebra cadeias desse �cido nucleico. O DNA era definitivamente o portador da informa��o gen�tica!
Os trabalhos de Avery e equipe n�o foram muito bem recebidos no in�cio, mas influenciaram in�meros bioqu�micos que futuramente acrescentaram mais pe�as ao quebra-cabe�a.
Na pr�xima conex�o continua a saga da Estrutura do DNA, a mol�cula da vida!

quinta-feira, março 06, 2003

Aten��o para o toque de 5 segundos...
Boa noite! Est� no ar mais um Pr�tonsNEWS
Todos devem j� ter conhecimento da morte prematura do marco da clonagem, a ovelha Dolly, criada no Instituto Roslin em Edimburgo h� 6 anos atr�s.
Mas, tudo come�ou realmente na Universidade de Cambridge em 1953 com os cientistas James Watson e Francis Crick, com a resolu��o da estrutura tridimensional da mol�cula da vida o DNA...
Abaixo segue uma foto de uma estrutura de DNA exposta no WHIPPLE MUSEUM OF THE HISTORY OF SCIENCE, em Cambridge, como parte das comemora��es de 50 anos desta fabulosa descoberta..

Aguarde que em breve ser� publicado aqui um especial sobre a descoberta que ap�s 50 anos ainda continua revolucionando o mundo!
Por enquanto termina por aqui. At� a pr�xima conex�o!

terça-feira, março 04, 2003

Aten��o para o toque de 5 segundos...
Boa noite! Est� no ar mais um Pr�tonsNEWS, em plena ter�a-feira gorda.
Na noite de ontem o Rio de Janeiro foi assaltado por uma boa chuva. Pela porta aberta chegou-me o delicioso cheiro de "terra molhada". Pois bem, existiam diversas teorias sobre esse odor, mas faz algum tempo que cientistas descobriram que trata-se de um sesquiterpeno chamada Geosmina, produzido a partir da digest�o de cianobact�rias por Actinomicetos, um ramo das bact�rias que foi durante muito tempo considerado do Reino Fungi.

Os sesquiterpenos s�o uma fam�lia de compostos org�nicos com cadeias carb�nicas complexas, contendo aneis, multifuncionais e algumas vezes outros �tomos como oxig�nio e nitrog�nio. S�o os principais constituintes dos �leos essenciais. Um exemplo de terpeno � o Limoneno que d� o caracter�stico odor de fruto c�trico como os lim�es e laranjas, presente principalmente na casca destes.

J� as cianobact�rias s�o um ponto de disc�rdia entre os bi�logos, pois alguns as colocam na categoria de algas unicelulares, enquanto outros as chama de bact�rias fotossintetizantes. S�o encontradas muito comumente no solo, espelhos de �gua doce e salobra, principalmente. Alguns de seus produtos de metabolismo s�o rapidamente reconhecidos em val�es e outros ambientes rico em polui��o org�nica. Sim, pois apesar de fazerem fotoss�ntese, as cianobact�rias quando encontram um ambiente rico em nutrientes (podemos chama-lo de eutrofizado) passam a absorver os mesmos de modo direto, diminuindo a raz�o de depend�ncia da fotoss�ntese.

Na complexa ecologia de solos, as cianobat�rias servem de alimento para os actinomicetos e de sua degrada��o por esses, ocorre a libera��o da geosmina. Em lagoas de cria��o de peixes que ocorre bloom (um bloom � um explos�o descontrolada de organismos quando as condi��es ambientais assim o permitem) de cianobact�rias, muito provavelmente ap�s algum tempo a carne estar� impossibilitada de ser consumida pois, apresentar� caracter�stico gosto de barro devido ao excesso do sesquiterpeno na �gua.

Uma �ltima curiosidade. Faz parte da ordem Actinomycetalis a Mycobacterium leprae, a causadora da Doen�a de Hansen ou lepra.

Este informativo termina por aqui. At� a pr�xima conex�o!

segunda-feira, março 03, 2003

Aten��o para o toque de 5 segundos...
Bom dia! Esse � o Pr�tonsNEWS, um canal que tentar� manter o leitor atualizado no assunto ci�ncia.
(ser� que foi para o ar agora?)
Sei que publicar um blog deveria ser a �ltima coisa para estar se fazendo numa madrugada de segunda-feira de carnaval,mas o meu j� come�ou errado comigo sendo mordido por cachorro em pleno s�bado. Ent�o...
(nunca pensei que publicar um blog fosse t�o complicado quanto tentar descobrir a Teoria M, especialmente se usamos o Opera como navegador)
Este informativo termina por aqui. At� a pr�xima conex�o!