domingo, março 16, 2003

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50 ANOS DE ESTRUTURA DO DNA
Lemos e ouvimos muito hoje em dia sobre clonagem, transg�nicos, terapias g�nicas, c�lulas-tronco, genoma humano... Mas para chegarmos ao atual desenvolvimento, muitos pequenos passos foram dados e que culminaram em 1953 com a elucida��o da estrutura da mol�cula da vida.
A vida � extremamente complexa, mas possui um fio condutor que mant�m unidas todas as formas de vida deste planeta, das mais simples as mais complexas: o DNA, duas fitas em dupla-h�lice composta de apenas quatro mol�culas b�sicas diferentes!
H� 50 anos atr�s os pesquisadores James Watson e Francis Crick, da Cambridge University, juntaram as pe�as de um grande quebra-cabe�a que come�ou a ser desvendado em 1869. Neste ano, Friedrich Miescher



isolou pela primeira vez uma nova subst�ncia de car�ter �cido encontrada nos n�cleos da c�lulas (seu material de trabalho foram leuc�citos de bandagens cir�rgicas descartadas) que as chamou de nucle�na, eram os �cidos nucleicos. Em poucos anos foram descobertos �cidos nucleicos em diversos tipos celulares, entretanto s� depois de 75 anos desta descoberta, os �cidos nucleicos tiveram a sua fun��o na hereditariedade dos seres vivos reconhecida pela comunidade cient�fica.
At� as hoje famosas experi�ncias de Gregor Mendel com ervilhas se tornarem p�blicas e aceitas, a comunidade cient�fica aceitava que os genes n�o eram entidades individuais e que cruzamentos entre "ra�as" diferentes da mesma esp�cie resultavam em uma mistura completa dos padr�es parentais. Tal como acontece entre humanos de cores diferentes, entre as diversas ra�as de c�es, etc. At� Charles Darwin, enunciador da Teoria de Sele��o Natural, trope�ou nessa armadilha do senso comum!
Depois de Friederich Miescher, pouco foi acrescentado �s informa��es dispon�veis sobre os �cidos nucleicos, exceto que eles eram constitu�dos por apenas quatro tipos de componentes, nucleot�deos, convencionou-se que esses �cidos eram pol�meros aleat�rios com alguma fun��o obscura no n�cleo celular, menos que fosse a biblioteca contendo todas as instru��es para se construir um novo ser vivo. A descoberta dos cromossomos e que esses s�o formados por genes enfileirados deve-se ao bi�logo americano Thomas Morgan em 1909 ao efetuar estudos de hereditariedade com dros�filas. Os cientistas assumiram como genes as prote�nas, por apresentarem especificidade como entidades bioqu�micas.
A verdadeira fun��o dos �cidos nucleicos, especialmente o DNA, foi mostrada em 1944, ap�s investiga��es sobre um tal "pr�nc�pio transformante". Este termo foi cunhado por Frederick Griffith em 1928 ao injetar em ratos uma mistura de pneumococcus (Diplococcus pneumoniae). Essas bact�rias s�o encontradas sob duas formas denominadas de R, a n�o-patog�nica e S, a forma virulenta. O injetado continha bact�rias R vivas e S mortas por aquecimento. O experimento resultou em mortes de muitos dos ratos e surpreendemente, no sangue das cobaias n�o havia nenhuma bact�ria R, todas haviam se transformado em S. Griffith ainda injetou a forma n�o virulenta pura e tamb�m somente o lisado de bact�rias do tipo S, n�o causando a morte das cobaias. O que era esse "princ�pio transformante"?
Ap�s 10 anos de pesquisas, os pesquisadores Oswald Avery, Colin MacLeod e Maclyn McCarty conclu�ram que tratava-se de DNA o componente que transformava as bact�rias em sua variante patog�nica. Depois de sucessivas e laboriosas purifica��es (n�o estavam desenvolvidas muitas t�cnicas na �poca), foi observado que o "princ�pio transformante" apresentava muitas caracter�sticas de �cido nucleico, n�o havendo nenhuma prote�na detect�vel j� que o material n�o gerava subcompostos em presen�a de quaisquer proteases (enzimas que quebram prote�nas, tais como as encontradas ao longo de nosso trato digestico, por exemplo a Tripsina), mas reagia com uma enzima espec�fica a DNase, que quebra cadeias desse �cido nucleico. O DNA era definitivamente o portador da informa��o gen�tica!
Os trabalhos de Avery e equipe n�o foram muito bem recebidos no in�cio, mas influenciaram in�meros bioqu�micos que futuramente acrescentaram mais pe�as ao quebra-cabe�a.
Na pr�xima conex�o continua a saga da Estrutura do DNA, a mol�cula da vida!

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