domingo, abril 27, 2003

Boa noite! Est� na tela mais uma edi��o de Pr�tonsNEWS.
Dia 25 de abril �ltimo foi comemorado o jubileu de ouro da descoberta da dupla-h�lice do DNA. At� mesmo o Google trajou-se de gala para a comemora��o e alterou o seu logotipo para a ocasi�o (assim que eu dispuser da figura, eu a coloco aqui, nesse mesmo post).
� muito simb�lico que justamente nesse m�s os cientistas envolvidos com o projeto Genoma Humano, declarem encerrado todo o mapeamento gen�tico dos seres humanos. Todas as seq��ncias foram descritas, assim pode-se dizer que j� temos todas as "palavras" que comp�e a enciclop�dia chamada Homo sapiens. Muitas dessas palavras ainda s�o desprovidas de significado para os cientistas. Algumas s�o "lixo gen�tico" herdados das muitas esp�cie das quais evolu�mos, mas outras poder�o render frutos futuramente no desenvolvimento de novas tecnologias no campo da gen�mica.
Poderemos ficar livres de doen�as, expandir nossa vida �til como m�quinas vivas e melhorarmos a mat�ria-prima que a natureza nos forneceu.
E a�, descortina-se o mais sombrio de todos os quadros para a bio�tica. J� faz algum tempo que pode-se escolher o sexo do filho desejado por um casal, sendo hoje ainda considerada uma alternativa muito controvertida e reprovada por muitos cientistas, pelo menos na frente da m�dia. E apesar dos custos terem diminu�do, ainda � um procedimento caro, n�o dispon�vel para pessoas que mal conseguem um atendimento m�dico decente, nos pa�ses em desenvolvimento como o nosso. Imagine ent�o, que poderemos dotar nossas futuras gera��es com genes selecionados, tal como se faz hoje com os OGM's (organismos geneticamente modificados) comercializados ou n�o pelo mundo.
Sim, os evolucionistas j� h� algum tempo alertam que o homem � o �nico ser vivo capaz de controlar sua evolu��o. Essa declara��o j� era feita antes de podermos visualizar o novo cen�rio. J� n�o precisamos lutar uns com os outros por comida, parceiros sexuais e sobreviv�ncia, fontes de fortes press�es ambientais que comp�em a sele��o natural.
E agora que a receita est� dispon�vel, o que impede que fa�amos pequenos melhoramentos? Um par de bons olhos, ou uma audi��o compreendendo freq��ncias al�m das que escutamos normalmente?
Os pais que dispuserem de condi��es financeiras, poder�o arcar com os custos de uma sele��o artificial. Hoje muitos pais economizam dinheiro desde antes de o filho nascer pensando em garantir um bom futuro � sua prole, ent�o, qual o pai n�o daria a chance de sua cria melhorar ainda mais sua performance quando adulto?
Fisicamente est�o os genes mais f�ceis de mexer, como cor de olhos, cabelos, pele. Haver� ainda a possibilidade de acrescentar resist�cia a diversas mol�stias, inclusive as que atacam-nos na velhice. Pode-se selecionar melhores pernas e bra�os, uma maior estatura... Por que n�o pensarmos em genes que turbinem um c�rebro? Havendo dinheiro, h� esperan�a. Sabendo-se exatamente em quais genes mexer, ou trocar. E mesmo a vari�vel descontrolada da receita do super-homem, que � o fen�tipo, ou seja, o modo como o gen�tipo consegue se expressar no ambiente, pode ser de certo modo controlado, tentando direcionar o desenvolvimento para a dire��o desejada. Pois de que adianta genes para �timas pernas de correr e saltar, se o indiv�duo n�o as exercitar? E isso j� naturalmente acontece, n�o tiramos o m�ximo que � porporcionado pelos nossos genes.
Claro que essas tecnologias ser�o poss�veis no futuro e no in�cio apenas para uma pequena parcela da popula��o, presente nos pa�ses mais ricos.
Se hoje em dia a produ��o de alimentos trang�nicos, como a soja, milho, feij�o, batata, mam�o e outros, torna-se mais lucrativo para o produtor, deve-se basicamente aos fabricantes dessas sementes que as subsidiam para fazer sua base de mercado. Mas com seres humanos � diferente. Quem dominar as tecnologias, vai cobrar caro, muito caro, para oferecer seus servi�os.
Inicialmente haver� uma gera��o de seres gerados assim. Se a natureza n�o pregar uma pe�a nos cientistas, ser�o naturalmente l�deres. Em todas as disputas com outros humanos produzidos por vias naturais, tender�o a vencer e assumir posi��es mais altas na hierarquia humana. E uma vez que tenham assumido o poder, o que os impediria de bloquear que essas tecnologias alcancem toda a civiliza��o? Eles certamente n�o gostariam de enfrentar mais deles iguais, se podem dominar toda a sociedade...
Ser� que abrir�amos as portas de uma sociedade "naturalmente" dividida em castas, tal como nas formigas e abelhas? Aqueles que s�o gerados de forma primitiva, na loteria ca�tica da vida, seriam dispostos em servi�os mais simples e bra�ais, ao contr�rio dos Homo superior, dispondo de todas as melhores ferramentas gen�ticas, seriam reis e senhores dos homens.
Pode parecer uma teoria conspirat�ria, mas n�o �. Discuss�es bio�ticas j� come�am a tatear esse caminho obscuro. E � bom que sejam discutidos esses pontos desde cedo, para que caso venha a desenvolver-se tal cen�rio hipot�tico, a sociedade humana n�o seja pega desprevenida.
Sou um desesperan�ado quanto a esse sonho/pesadelo n�o se concretizar. Adolf Hitler sonhava por uma superioridade ariana. Numa sociedade paran�ica como a estadunidense, um governo ignorante impediria que essa tecnologia chegasse a pa�ses potecialmente inimigos, ou seja, todos os outros, al�m de gerar super-soldados para outras guerras fabricadas por interesses excusos.
Desejo boa sorte a todos n�s.
At� a pr�xima conex�o!
Aten��o para o toque de 5 segundos...
Boa noite! Est� no ar mais uma edi��o do Pr�tonsNEWS.
Passado algum tempo j� desde o in�cio do surgimento da SARS (a superpneumonia asi�tica), o agente infeccioso foi isolado e aparentemente � um v�rus de resfriados comuns mutante. O que ser� que pode ter acarretado essa s�bita letalidade? � uma das perguntas que os cientistas est�o tentando responder.
V�rus da fam�lia Coronavirus, possuem material gen�tico simples, sob a forma de RNA (�cido ribonucleico, um �cido nucleico que diferentemente do DNA, � ativo sem necessitar de uma fita complementar). Al�m disso possuem uma caracter�stica ainda mais fascinante, seu "genoma" encontra-se partido em pequenos peda�os, ou seja, seus genes encontram-se separados uns dos outros, como entidades pr�prias. Isso torna ainda mais f�cil que eles possam fazer recombina��o, que � a troca de material gen�tico entre dois tipos diferentes de v�rus.
As bact�rias tamb�m fazem recombina��o, sendo inclusive essa uma das raz�es para que rapidamente se espalhem novas variantes resistentes aos mais diversos antibi�ticos (as superbact�rias, pesadelo de qualquer epidemiologista). Esse mecanismo nos v�rus pode acontecer se a mesma c�lula for infectada por duas esp�cies diferentes. Como seus genes s�o adicionados ao material gen�tico do hospedeiro, quando est�o sendo sintetizadas as fitas de RNA, no caso dos Coronavirus, para preencher as novas c�psulas prot�icas de novos v�rus, no ato da montagem da unidade vir�tica acontece a troca de algum fator espec�fico de uma esp�cie para a outra.
Os cientistas conseguiram mapear a origem de uma das muitas epidemias de gripe, a de 1968, aonde aconteceu exatamente isso. O v�rus da gripe humana possu�a apenas uma variante do gene da hemaglutinina, uma prote�na que induz a resposta imunol�gica do hospedeiro (as aves possuem umas 15 variantes desse gene, da� o potencial de novas recombina��es com v�rus que infectem apenas humanos). Ocorreu que uma pessoa com a gripe comum foi imfectada por um v�rus de ave e uma nova variante do gene da hemaglutinina surgiu para os v�rus da gripe humana. Como as pessoas n�o tinham anticorpos, o v�rus rapidamente se alastrou.
Na gripe espanhola (matou mais de 40 milh�es de pessoas em 1918), que tamb�m surgiu na �sia, al�m da recombina��o, uma muta��o espont�nea tornou o v�rus da gripe mais letal.
Atualmente a letalidade da SARS est� em 6% (mas no Canad� este �ndice � de 10%). Mas os cientistas acreditam que esse percentual dever� aumentar, pois o pior dos cen�rios � que ocorra algum caso na �frica sub-saariana. Devido a todas as dificuldades que os istemas de sa�de desses pa�ses apresentam, a taxa de letalidade poderia rapidamente ultrapassar 10% dos infectados, at� porque o n�mero de portadores do v�rus da AIDS, que apresentam baixa resposta imunol�gica. n�o � negligenci�vel nesses pa�ses.
At� a pr�xima conex�o.

quarta-feira, abril 23, 2003

Aten��o para mais uma edi��o de Pr�tonsNEWS.
Venho ao distinto p�blico explicar que por problemas de for�a al�m do meu controle, as edi��es n�o puderam seguir seu curso normal e fui obrigado a interromper as publica��es temporariamente. Breve estarei de volta com not�cias quentes de ci�ncia.
At� a pr�xima conex�o!

sábado, abril 05, 2003

Ainda uma �ltima opini�o.
Havia falado sobre o risco de uma cat�strofe ambiental l� no Iraque, na regi�o inpiradora do �den B�blico, que est� sendo assolada pela guerra h� s�culos, quando os empres�rios da Cataguazes Celulose em Minas Gerais resolveram trazer o trof�u de "Desonra ao M�rito Ambiental" para o Brasil mais uma vez. Pois seu desleixo com os dejetos produzidos no isolamento da celulose conseguiu de um s� golpe matar todo o trecho do Rio Para�ba do Sul ap�s o seu afluente, o Rio Pomba, al�m de deixarem mais de 500.000 pessoas sem �gua e dezenas de ind�trias paradas, ao custo de milh�es de reais de preju�zo para todos.
Especialistas acreditam que somente em 20 anos (!!!) o ecossistema ser� totalmente recuperado, pois � esse o tempo m�dio de recupera��o para bacias hidrogr�ficas.
Os principais agentes poluidores desse derrame foram soda c�ustica (hidr�xido de s�dio) e cloro ativo (hipoclorito de s�dio). Esses dois produtos qu�micos est�o presentes nas formula��es de diversos produtos de limpeza para retirada de limo. O hipoclorito � um agente altamente oxidante e que � potencializado em meio b�sico ou �cido, causando queimaduras graves se ingerido.
A elimina��o do risco � f�cil, bastaria apenas que a ind�stria se dispusesse a gastar um bocado de dinheiro para a instala��o de uma eficiente esta��o de tratamento de efluentes industriais. Mas, preferiram deixar aquele horrendo lago venenoso como uma bomba-rel�gio sem hora para detonar. E ainda resta a outra barragem, que est� al�m de seu limite de conten��o...
E n�s ficamos aqui, esperando aonde vai acontecer a pr�xima grande trag�dia ambiental, pois em todos os cantos por onde passa o homem deixa seu rastro imundo.
"Listen, our earth is crying..."
Aten��o para o toque de 5 segundos...
Boa noite! Est� no ar mais uma edi��o do Pr�tonsNEWS.
Como j� existe a forte suspeita de que a jornalista inglesa internada no Albert Einstein, em S�o Paulo, esteja mesmo com a pneumonia asi�tica, as autoridades sanit�rias brasileiras come�am a tentar conter o avan�o da doen�a no pa�s.
Ainda n�o h� certeza sobre o agente causador e assim, n�o h� terapia espec�fica. Existe um consenso entre os laborat�rios da rede montada pela OMS de que, nos pr�ximos dias, seja divulgado qual o pat�geno que est� obrigando pa�ses a baixarem severas normas de controle de circula��o das pessoas. E nas bolsas de apostas, � "pule-de-dez" que seja um v�rus da fam�lia Coronavirus (um porta-voz da OMS declarou ontem em Genebra que os cientistas tem "99% de certeza"), apesar de alguns laboart�rios ainda apontarem algum membro dos Paramyxovirus. A disson�ncia fica por conta do Centro de Controle de Doen�as da China, informando que um agente similar � bact�ria clam�dia seria o respons�vel pelo surto da doen�a. "Temos 80% de certeza", afirmou o pesquisador Hong Tao, do Instituto de Virologia da China. Esperemos mais alguns dias pelo an�ncio oficial da OMS, at� porque � muito prov�vel tamb�m que estejam atuando diversos microrganismos que caracterizam a infec��o.
E antes de o jornal O Globo noticiar, voc� leu aqui primeiro:

Noticiado em O GLOBO no dia 05 de abril de 2003, entretanto foi citada essa prov�vel liga��o entre as duas infec��es no dia 30 de mar�o de 2003 em Pr�tonsNEWS.

O vice-diretor do Instituto Robert Koch de Berlim (Robert Koch foi o primeiro cientista a isolar o bacilo causador da tuberculose, al�m de ter desenvolvido boa parte das metodologias microbiol�gicas de isolamento e transmiss�o de bact�rias em meios de cultura), Dr. Rheinhard Burger, acredita que a transmiss�o para seres humanos se deveu ao consumo de carne de frango mal passada ou pelo ar, j� que na �sia � comum as pessoas viverem juntos de galinhas, patos e porcos em suas casas. Ou seja, estamos lidando novamente com uma infec��o "emergente".
Mesmo depois que o grande vil�o for descoberto, ainda haver� muito trabalho pela frente para os infectologistas. As vias pelas quais est� ocorrendo a trnsmiss�o ainda n�o s�o conhecidas, havendo a suspeita de at� mesmo objetos contaminados estarem difundindo ainda mais a doen�a. Se isso for verdade, estaremos rumo ao caos, bastando apenas que um operador da linha de montagem de componentes eletr�nicos em Hong Kong d� um espirro sobre uma pilha de placas que ser�o encaixotadas e enviadas rumo ao ocidente...
At� a pr�xima conex�o!