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Passado algum tempo j� desde o in�cio do surgimento da SARS (a superpneumonia asi�tica), o agente infeccioso foi isolado e aparentemente � um v�rus de resfriados comuns mutante. O que ser� que pode ter acarretado essa s�bita letalidade? � uma das perguntas que os cientistas est�o tentando responder.
V�rus da fam�lia Coronavirus, possuem material gen�tico simples, sob a forma de RNA (�cido ribonucleico, um �cido nucleico que diferentemente do DNA, � ativo sem necessitar de uma fita complementar). Al�m disso possuem uma caracter�stica ainda mais fascinante, seu "genoma" encontra-se partido em pequenos peda�os, ou seja, seus genes encontram-se separados uns dos outros, como entidades pr�prias. Isso torna ainda mais f�cil que eles possam fazer recombina��o, que � a troca de material gen�tico entre dois tipos diferentes de v�rus.
As bact�rias tamb�m fazem recombina��o, sendo inclusive essa uma das raz�es para que rapidamente se espalhem novas variantes resistentes aos mais diversos antibi�ticos (as superbact�rias, pesadelo de qualquer epidemiologista). Esse mecanismo nos v�rus pode acontecer se a mesma c�lula for infectada por duas esp�cies diferentes. Como seus genes s�o adicionados ao material gen�tico do hospedeiro, quando est�o sendo sintetizadas as fitas de RNA, no caso dos Coronavirus, para preencher as novas c�psulas prot�icas de novos v�rus, no ato da montagem da unidade vir�tica acontece a troca de algum fator espec�fico de uma esp�cie para a outra.
Os cientistas conseguiram mapear a origem de uma das muitas epidemias de gripe, a de 1968, aonde aconteceu exatamente isso. O v�rus da gripe humana possu�a apenas uma variante do gene da hemaglutinina, uma prote�na que induz a resposta imunol�gica do hospedeiro (as aves possuem umas 15 variantes desse gene, da� o potencial de novas recombina��es com v�rus que infectem apenas humanos). Ocorreu que uma pessoa com a gripe comum foi imfectada por um v�rus de ave e uma nova variante do gene da hemaglutinina surgiu para os v�rus da gripe humana. Como as pessoas n�o tinham anticorpos, o v�rus rapidamente se alastrou.
Na gripe espanhola (matou mais de 40 milh�es de pessoas em 1918), que tamb�m surgiu na �sia, al�m da recombina��o, uma muta��o espont�nea tornou o v�rus da gripe mais letal.
Atualmente a letalidade da SARS est� em 6% (mas no Canad� este �ndice � de 10%). Mas os cientistas acreditam que esse percentual dever� aumentar, pois o pior dos cen�rios � que ocorra algum caso na �frica sub-saariana. Devido a todas as dificuldades que os istemas de sa�de desses pa�ses apresentam, a taxa de letalidade poderia rapidamente ultrapassar 10% dos infectados, at� porque o n�mero de portadores do v�rus da AIDS, que apresentam baixa resposta imunol�gica. n�o � negligenci�vel nesses pa�ses.
At� a pr�xima conex�o.
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